Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
Crioterapia - somente vasoconstrição

I - EFEITOS CIRCULATÓRIOS DA TERAPÊUTICA DO FRIO

 

Uma grande porcentagem (quase total) da literatura profissional, nos leva a crer que as estruturas do corpo humano reage a aplicações do frio, tanto com uma vasodilatação (vd), quanto com uma vasoconstrição (vc). Com tantos materiais, parece que não existem dúvidas de que a resposta inicial é uma vasoconstrição, que tem início após a aplicação do frio, e que tem como principal objetivo o de consevar calor do corpo. Temos muita confusão, porém, no que diz respeito à vasodilatação induzida pelo frio. Na literatura profissional temos duas definições de vasodilatação, muitas opiniões de quando ela ocorre, e nenhuma informação direta sobre sua magnitude. Recentemente, em pesquisa realizada na Universidade do Estado de Indiana (Laboratório de Pesquisa sobre Lesões Esportivas, 1991), falou-se que a vasodilatação não ocorre durante a aplicação terapêutica do frio.

Fluxo sangüíneo, no tornozelo, durante e após três condições de Tº (pacote quente, pacote frio, controle). Não houve vasodilatação e o fluxo sangüíneo médio durante os 25 minutos de aplicação, e por todo o período de 45 minutos foi maior com a aplicação do calor.

 

Resposta Circulatória

            A resposta circulatória inicial é a vasoconstrição. O fluxo sangüíneo na área é diminuído através da imersão em água fria e aplicação de pacotes frios.

 

a)     Vasodilatação pelo Frio:

É um termo que tem sido aplicado para dois fenômenos diferentes, descritos por Lewis:

1 – Resposta Hunting ou Resposta de Caçador, durante a aplicação do frio;

2 – Efeito secundário ou aumento no fluxo sangüíneo que poderia ocorrer após a aplicação;

            Lewis observou que, imediatamente após a imersão de um dedo de água gelada, há um decréscimo agudo na sua temperatura (Temperatura do dedo durante a imersão em gelo picado. As oscilações na temperatura durante a aplicação são chamadas de “Reação de Caçador”). Após 8 a 16 minutos a Tº começa a aumentar. Isso era seguido por um padrão não rítmico de aumento-diminuição com uma periodicidade de 10 a 36 minutos. A essas oscilações, chamadas de “Reação Caçador”, ocorriam entre 2 a 12ºC, que está muito abaixo da Tº normotérmica do dedo (30 a 34ºC). Lewis atribuiu essas oscilações na Tº à vasodilatação. Mais tarde, os pesquisadores assumiram que a “Reação de Caçador” era um fenômeno circulatório.

                Pensemos juntos: se Lewis considerou como sendo vasodilatação as oscilações de Tº entre 2 a 12ºC, devemos considerar que a vasodilatação só poderia ser considerada como tal, se a Tº ultrapassasse o limite da Tº pré-imersão. Concluímos então, que a vasodilatação só deve ser considerada quando a Tº durante a aplicação ultrapassar à Tº pré-aplicação.

                Lewis observou que, após a remoção do dedo da água fria, havia um aumento abrupto na sua Tº (dedo), a um ponto muitos graus acima da Tº do dedo controle. A isso ele denominou de vasodilatação. Aqui, Lewis cometeu mais um engano pois, o dedo controle, por estar exposto a um ambiente frio ou perto do tanque frio, estava com uma Tº mais baixa do que seu dedo normal, ou seja, a ± 19ºC, muito longe da Tº normal do dedo (30 a 34ºC), e quando o dedo foi retirado da água fria a sua temperatura subiu para 28ºC, que ainda era mais baixa do que a Tº pré-imersão ou dedo controle.

                A vasodilatação foi alvo de muita atenção na literatura fisiológica, incluindo longas e exaustivas revisões. É até difícil contrapor-se contra uma situação tão imensa de evidências. A pesquisa envolvendo mudanças de Tº tem sido descartada porque, Tº e fluxo sangüíneo não estão relacionados quantitativamente. E a pesquisa sobre fluxo sangüíneo utilizando calorimetria tem sido questionada por razões metodológicas. Os métodos calorimétricos medem a perda total de calor pelo fluxo sangüíneo. O calor também é liberado (ou absolvido se o aquecimento estiver envolvido) quando a capacidade termal do tecido muda devido a mudanças na Tº média do mesmo (tecido). A não ser que o tecido seja mantido em um estudo constante de Tº durante as medidas, essa última vai obscurecer o calor devido à circulação. Uma vez que o estado fisiológico é uma das transições contínuas durante grande parte de pesquisa sobre o frio, os resultados dessa pesquisa são suspeitos.

Figura ilustra a imersão dos dedos em água fria, cujo local, segundo Lewis, ocorreria o efeito “Hunting” ou a Vasodilatação, fato que nos prova o erro de medida metodológica

 

Discordâncias Sobre os Efeitos do Frio

            Já foram colocadas inúmeras evidências sobre a vasodilatação e vasoconstrição. Aqueles que aceitem a teoria da vasodilatação devem explicar como as aplicações do frio podem causar tanto vasodilatação, quanto vasoconstrição, e quando cada uma ocorre. Muitos estudos clínicos tentaram explicar essa confusão, conotando que o frio causa uma vasoconstrição inicial, e então, uma vasodilatação posterior. Eles defendem a aplicação do frio por vários períodos de tempo, dependendo do resultado pretendido. Vamos dar um exemplo: No tratamento imediato (controle de Edema), eles recomendam a remoção do pacote de gelo antes que ocorra a vasodilatação. Durante a fase de reabilitação (fase funcional) eles recomendam aplicações longas, as suficientes para se conseguir um aumento da circulação através da vasodilatação reflexa. Eles têm, porém, várias opiniões a respeito de quando a vasodilatação ocorre, variando de 1 a 30 minutos. Outros declaram que a vasodilatação ocorre após a remoção do frio. Essa contradição nos traria um grande problema durante o tratamento imediato (agudo).

            Se há um aumento no fluxo sangüíneo após a aplicação do pacote frio, os benefícios do fluxo diminuindo durante a aplicação seriam cancelados. Sendo assim, nós não teríamos resultados terapêuticos com o uso do frio.

 

História da Criocinética

            O uso das aplicações do frio na reabilitação de entorses e contusões parece ter começado no Hospital do Exército Brooke no início dos anos 60, muito embora Mead, Knott e seus colaboradores tivessem usado aplicações de frio para tratamento em desordens espásticas nos anos 50. Os primeiros relatos do grupo de Brooke, foram de Grant e hayden, um grupo médico-fisioterápico tratando de soldados com lesões musculo-esqueléticas sofridas durante o treino básico. Em artigos separados eles relataram um novo método de tratamento que chamaram criocinético, significando frio + exercício.

O procedimento usava massagem de gelo ou imersão dependendo da área) para anestesiar a parte do corpo lesada. Isso tinha duração de 3 a 20 minutos e cessava quando o paciente apresentava adormecimento. O grau de anestesia não foi relatado, porém não era de adormecimento completo como causado por injeção de procaína. Feito isso, a parte do corpo era submetida ao exercício físico ativo (voluntário). Se (ou quando) houvesse desconforto, o gelo era reaplicado. Cada tratamento consistia de 5 a 6 séries de exercícios alternados com aplicações de gelo. Hayden relatou que todos, menos três de um total de 1000 soldados retornaram ao dever dois dias de tratamento com criocinética, mas não deu nenhuma teoria para o seu sucesso.

Staft relatou que mais de 80% de 7000 pacientes foram liberados para atividade normais com menos de 3 tratamentos formais. Ele postulou que o movimento iniciado mais cedo e a restauração da função normal na área envolvida eram a chave para a melhora sintomática, e que o uso do gelo era simplesmente um adjunto usado para aliviar a dor e permitir esse movimento mais cedo possível.

Desde os relatos de Haydem e Grant, Hospitais fisioterápicos e treinadores atléticos têm declarado que sentiram um grande sucesso no uso da criocinética.

Moore e outros apresentaram estudos de casos, durante a reabilitação de lesões esportivas com a crocinética, e discutiram mecanismos possíveis que respondessem pela reabilitação mais rápida com o uso da criocinética. Eles declararam que o exercício era de capital importância para o sucesso da criocinética. Mas também introduziram a idéia de que a vasodilatação poderia estar envolvida, mesmo achando que a resposta não estava completamente entendida, e que eles tinham sido incapazes de achar evidências aplicáveis para dar uma razão fisiológica adequada para a criocinética.

Knight e Londeree tentaram substanciar a ocorrência de vasodilatação a criocinética, medindo o fluxo sangüíneo (com plestimografia) do tornozelo durante seis combinações de calor, frio e exercício. Não havia vasodilatação de fato, apenas o contrário; fluxo de sangue diminuído durante uma aplicação de pacote frio de 25 minutos, e permanecia diminuído por 20 minutos após a aplicação.

 

Vasodilatação – Porque não Acreditar?

            Foram citados 5 pontos principais para sustentar a evidência da vasodilatação durante aplicações terapêuticas do frio.

1)     Pesquisa de Lewis;

. Efeito secundário;

. Resposta de Caçador;

2)     Pesquisa de Clarke;

3)     A sensação de calor que ocorre durante a aplicação ao frio;

4)     Aplicações do frio com a “vermelhidão” do tecido;

5)     A reabilitação é mais rápida com a criocinética do que a termoterapia. Já que a termoterapia promove a cura aumentando o fluxo sangüíneo, também deveria acontecer com a criocinética;

 

1)     REVISÃO DO EFEITO SECUNDÁRIO DE LEWIS.

Embora Lewis tenha elaborado o termo vasodilatação, seus dados não podem ser usados para sustentar sua ocorrência durante aplicações terapêuticas do frio. Primeiro, Lewis media Tº e não fluxo sangüíneo. Eles são relacionados, mas não quantitativamente. Segundo, a obra de Lewis tem sido mal interpretada. Lewis relatou uma série de experiências individuais, em que os dados não foram combinados e nem estatisticamente analisados.

A experiência típica é a que envolve um dos dedos. Com os dedos adjacentes servindo de controle. Os dedos descansam em uma plataforma de cortiça sobre um béquer de água gelada. O dedo experimental é então imerso na água através de um orifício na cortiça. O segundo dedo é imerso em água a 7ºC por 15 minutos. 10 Minutos após a imersão, o dedo experimental estava 10ºC mais quente que o dedo controle. Permaneceu nesse nível por 10 minutos e então voltou gradualmente até o controle; porém, ainda estava 2ºC acima do controle uma hora após a imersão.

Muitos pesquisadores aceitaram esses dados como uma base forte para a vasodilatação. Após uma avaliação mais detalhada dos dados de Lewis, porém, seguindo a obra de Knight e Londeree, revelou que o dedo controle foi mantido a 19ºC (provavelmente pela Tº da sala), e do dedo experimental subiu a 29ºC. A Tº normal do dedo é de 30 a 34ºC. Portanto, o dedo experimental se aqueceu até o normal mas começou a esfriar novamente sem sequer alcançar a Tº normal.

Lewis reconheceu que o Efeito Secundário ocorria apenas quando os dedos e a sala estavam em uma Tº inicial (muito mais frio do que o normal) adequada. Ele declarou que a vasodilatação reflexa requer, sem falha, uma Tº inicial adequada dos dedos e da sala, e que se os dedos estavam entre 32 a 34ºC (que era considerado quente, mas de fato era normal) no início da experiência, eles não responderiam ao estímulo (não haveria vasodilatação). Em outras palavras, em uma sala fria a Tº dos dedos ficaria abaixo do normal. Portanto, após remover o dedo da água fria, a Tº aumentaria muitos graus acima daquela do dedo de controle, conforme vai se aproximando do normal.

Knight e outros duplicaram o estudo de Lewis com a Tº da sala a 25ºC e a Tº inicial do dedo a 31,8ºC. Fez imersão por 40 minutos em água a 3ºC. 10 Minutos após a imersão a Tº subiu para 31,6ºC, após 20 minutos para 33,7ºC e diminuindo para 32,4ºC a 35 minutos após a imersão.

Outro importante problema, nos dados de Lewis sobre reabilitação de lesões, é que a vasodilatação parece estar limitada nos dedos da mão, do pé, face e partes do peito. Fox e Wyatt observaram que as áreas do corpo com mais tendência para vasodilatação eram aquelas com mais tendência a ulcerações. Concluíram que a vasodilatação era um mecanismo protetivo contra ulcerações, mas não durava.

Knight e outros também descobriram que, embora os dedos retornassem para a Tº normal bem rápido, a Tº do tornozelo subiu apenas 19,2ºC após a imersão em água a 3ºC por 40 minutos. Obras subsequentes confirmaram uma resposta mais lenta no tornozelo e no antebraço, e indicaram o reaquecimento do tornozelo e do antebraço em uma porção semelhante. Tanto o antebraço e quanto o tornozelo requerem um excesso de 2 horas e meia para voltar a 1ºC do membro contralateral.

.

2)     RESPOSTA DE CAÇADOR DE LEWIS

A “Resposta de Caçador” é um aumento e decréscimo cíclico de Tº, observado primeiramente por Lewis. Ela sempre seguia uma diminuição de Tº inicial bastante grande. As mudanças de Tº, em geral, eram apenas de alguns graus, embora Lewis relatou que um indivíduo teve um acréscimo de 10ºC na Tº do dedo (2 para 12ºC). Muitos pesquisadores acreditam que a reação de “Caçador” ocorra pelo abrir e fechar de anastomoses arteriovenosas, conforme muda a atividade dos vasoconstritores químicos nos vasos sangüíneos.

A “Resposta de Caçador” foi aceita como um fenômeno geral, mas em outra pesquisa, Kinght e colaboradores falhou em demonstrá-la nos dedos dos mesmos indivíduos. Também Pestajan e Dalbe mediam simultaneamente alguns lugares nas mãos e nos braços. Descobriram que a “Resposta de Caçador” ocorre na superfície do dedo, mas não na superfície da eminência Tenar, no antebraço, nem mais ao fundo. A ausência da “Resposta de Caçador” no tecido profundo pode ser observada, também nos dados de outros pesquisadores.

A “Resposta de Caçador” pode não ser nada além de um erro de medida, porém causado pelo desenvolvimento de um gradiente termal próximo ao corpo, durante a imersão. Conforme o corpo libera calor para a água, ele aquece a água próxima ao corpo. Se a água não foi agitada, um leito bem fino de água poderá aquecer o suficiente para afetar a sonda de Tº. Uma vez que todas as medidas de Tº da superfície são de fato uma medida da Tº de interface, entre a pele e seu ambiente imediato, mudanças nas temperaturas da pele e da água se refletiriam nessa medida. Embora não tenha elaborado esse ponto, Lewis declarou que a extensão da reação de “Caçador” era maior se a água fria não fosse agitada.

Um pouco de estudo de Ninchik e Kinght estudaram essa hipótese. Tomaram Tº em alguns locais do pé e do tornozelo, durante uma imersão de 20 minutos em água fria. A água não foi agitada por 20 minutos, enquanto a Tº era medida regularmente. A água foi então agitada e novamente mediu-se a Tº. Em três lugares (no hálux, no Tendão Calcâneo e na base do 5º metatarso) a Tº média para 12 indivíduos a 20 minutos foi 1,0 ± 1,5ºC, mais quente do que a Tº mínima durante a sessão de 20 minutos. A agitação da água causou uma queda de 2,1 ± 2,8ºC.

 

3)     PESQUISA DE CLARKE, HELLON E LIND

Clarke e outros usaram a plestimografia para medir o fluxo sangüíneo do antebraço de quatro indivíduos, durante 45 minutos de imersão em água a 1,6 e 10ºC. A 10ºC as mudanças no fluxo sangüíneo eram variáveis, mas em nenhum caso houve um decréscimo ou aumento acentuado do fluxo sangüíneo pré-imersão medido à Tº da sala.

A 1 e a 6ºC houve um aumento gradual no fluxo sangüíneo, através do período de 45 minutos, sendo o aumento maior a 1ºC.

Como já mencionei antes, os resultados de Kinght e Londeree conflitam com os de Clarke e outros. Esses aplicaram pacotes na região lateral do tornozelo por 25 minutos. O fluxo sangüíneo foi medido com plestimografia 5 cm acima do Maléolo, e diminuiu progressivamente durante a aplicação de 25 minutos e ficou nesse nível de depressão por 20 minutos após remoção do pacote frio, e nesse período as medidas do fluxo ficaram descontínuas.

 

4)     DA DIVERGÊNCIAS RESULTARAM EM QUETIONAMENTOS

a – Porque nenhum dos indivíduos de Clarke sofreu uma vasoconstrição? Numerosos pesquisadores demonstraram que a reação inicial ao frio é uma vasoconstrição;

b – Há uma diferença na resposta do antebraço e a do tornozelo? Allwood e Burry descobriram que a Tº de 15 a 45ºC a resposta do fluxo sangüíneo era a mesma, embora a magnitude era maior no antebraço. Kinght e Elam observaram que 90 minutos após a imersão em água a 2ºC por 40 minutos, a diferença entre as Tº do membro experimental e contralateral do tornozelo e do antebraço estava entre 1ºC, embora as Tº absolutas eram 5 a 6ºC mais baixas no tornozelo.

c – A imersão completa na água causa uma resposta diferente da dos pacotes de gelo? Não se encontra pesquisa medindo o fluxo sangüíneo como resultado da aplicação do pacote frio, embora pareça que a imersão causaria uma diminuição maior no calor do que os pacotes frios; uma vez que uma proporção maior do membro está em contato com o meio frio, e também por que é mais potente condutora de calor do que pacote frio.

Dois outros estudos contradizem os resultados de Clarke e outros. Abransom e outros mediram o fluxo sangüíneo do antebraço durante a imersão em água a 4ºC por 90 minutos. O fluxo sangüíneo diminuiu até uns 45% do controle, e então, alternou aumentando e diminuindo entre esses níveis na duração do período de medida. O fluxo médio durante toda a experiência parece ser uns 60% do controle.

Knight e outros também mediram o fluxo sangüíneo do antebraço durante a aplicação dos pacotes frios e a imersão em banhos de água a 1,5ºC, 10ºC e 15ºC por 45 minutos. O fluxo sangüíneo médio era de 69% do controle, durante a imersão em água a 1ºC, 45% durante a aplicação do pacote frio e imersão em água a 5ºC e 10ºC e 25% durante a imersão em água a 15ºC. Houve uma vasoconstrição inicial em todas as condições.

Durante a condição a 1ºC, o fluxo sangüíneo diminuirá durante os primeiros 20 minutos, e então, aumentava subsequentemente. Houve certo aumento na condição a 5ºC também. Esses dados confirmam a pesquisa se Clarke e outros de que o fluxo é maior durante a imersão em água muito fria, mas não excede as condições de controle.

 

Sensação de Calor Durante Aplicação a Frio

            Durante as aplicações do frio, a maioria das pessoas referem geralmente quatro sensações:

1-     Dor;

2-     Aquecimento;

3-     Dor intermitente ou latejante;

4-     Adormecimento (uma relativa anestesia da pele);

A sensação de aquecimento foi atribuída à vasodilatação, e pensa-se que se corresponda à reação de “caçador”. Para poder determinar se era esse o caso ou não, Johannes e Kinght monitorizaram temperaturas de superfície e subcutâneas nos tornozelos de humanos durante imersão em água fria. Foi solicitado aos indivíduos que indicassem “quando” começassem a sentir calor e “quando” o adormecimento tivesse início. No momento em que os indivíduos começaram a referir a sensação de calor, não houve aumento de Tº. Pelo contrário, a Tº diminuía gradativamente durante a sensação de calor referida. Diante dessa perspectiva, os pesquisadores concluíram que o calor era mais uma sensação referida do que uma sensação fisiológica. Isso talvez poderia ocorrer devido a diminuição da sensação de dor.

Uma segunda explicação cabível para a sensação de calor estaria sendo pautada em cima da “Ausência de aumento de Tº” que é uma “Sensação Paradoxal de Calor”, ou seja, quando o abaixa a sua Tº em muitos graus. Isso também ocorre no outro extremo de Tº, ou seja, quando o tecido é submetido a um aquecimento intenso. Só que aí, ocorre uma “Sensação Paradoxal de Frio”. Essa explicação atual é apenas especulativa, porém carece de mais pesquisa sobre o assunto.

 

Hiperemia do Tecido Exposto ao Frio

            Alguns pesquisadores acham que o aumento do fluxo sangüíneo pela vasodilatação é a principal causa da hiperemia (vermelhidão) brilhante que ocorre durante o processo de aplicação do frio. Aleatoriamente, nós, absolvemos que a hiperemia do tecido exposto ao frio nada mais era do que uma reação vasodilatadora, provocada pela liberação de histamina. Mal sabíamos que o frio diminui a liberação dessa substância. Temos portanto, uma enorme confusão que só está se tentando explicar agora, através de duas alternativas propostas por Licht:

1)     Aplicações levam a um decréscimo muito maior no retorno venoso do que no influxo arterial, isto resulta em hiperemia arteriolar na pele, ficando a pele portanto mais vermelha;

2)     A diminuição do metabolismo tecidual durante as aplicações do frio, leva a uma diminuição da troca de oxigênio entre os tecidos e capilares. Essa troca resulta em sangue mais oxigenado (aperência mais vermelha) no sistema mais venoso da pele.

As observações de Lewis, Love, Gold Schmidt e Light confirmam a teoria (2), e levam Lewis e Lova a declararem que a tintura da pele à baixas temperaturas é altamente independente da proporção do fluxo sangüíneo.

 

Aumento da Proporção de Cura

            A técnica criocnética (uma das diversas técnicas crioterápicas) causou uma enorme agitação, porque os indivíduos que se trataram com ela, tiveram um retorno muito mais rápido às atividades normais de vida diária, comparando-se com o uso da termoterapia tradicional. Vimos que a base da termoterapia é de que as aplicações de calor causam um amento do fluxo sangüíneo, que por contiguidade lógica aumenta a retirada de materiais tóxicos do local da lesão e aumenta a liberação de matérias para reconstruir o tecido. O aumento aparente na proporção de cura devido à criocinética acrescentou combustível à chama da Teoria da Vasodilatação. Já que tanto as aplicações quentes quanto a criocinética aumentam a proporção de cura, e as aplicações quentes o fazem aumentando o fluxo sangüíneo, a dedução que parece bastante lógica seria de que também a criocinética aumenta o fluxo sangüíneo.

            O grande sucesso da técnica criocinética se deve ao exercício, que faz com que haja um estímulo enorme no aumento do metabolismo, porém, não ao frio. O único benefício do frio é que ocorre uma diminuição da dor, de forma que o exercício possa iniciar mais cedo e ser mais vigoroso. Em pesquisas feitas por Knight e Londeree, mostraram que o tratamento com a criocinética causa um aumento no fluxo sangüíneo maior do que o tratamento com o uso de calor.

            Uma grande quantidade de literatura abordando a vasodilatação obscureceu a importância do exercício na criocinética. Grant postulou que o exercício era a chave do sucesso clínico da criocinética, e que muitos dos defensores da vasodilatação relataram que o exercício devia seguir as aplicações a frio. Esse ponto deve ser muito enfatizado. Os valores encontrados na literatura para o aumento do fluxo sangüíneo induzindo pelo exercício, são muito maiores do que qualquer valor encontrado na literatura que resulte do calor ou de aplicação do frio, ou seja, há muito mais material de referência sobre exercícios e fluxo sangüíneo do que com o uso do calor e frio, associado ao exercício. Em pesquisa feita por Knight e Londeree foi revelado que o fluxo sangüíneo era muito maior durante a criocinética do que com pacotes frios ou quentes somente. Esses pesquisadores concluíram que o sucesso da criocinética se deve ao exercício, e que as aplicações do frio agem apenas para permitir um exercício relativamente livres de dor em uma articulação ou músculo lesado.

 

Prática Clínica – (Grande confusão)

            O conceito de vasodilatação levou a muitas confusões na prática clínica, tanto na sua aplicabilidade quanto à quantificação do seu teor real. O tratamento de lesões musculo-esqueléticas agudas inclui procedimentos de tratamento imediato para limitar a quantidade de edema e hematoma, e depois procedimentos de reabilitação para acelerar a resolução do hematoma do corpo e reparar o tecido lesado através da liberação de nutrientes essenciais.

 

Ineficiência na Reabilitação

            As condutas ineficientes no processo de reabilitação também podem ser frutos de um incorreto entendimento sobre a vasodilatação. A princípio, por muitas crenças de que as aplicações terapêuticas do frio levam a um aumento do fluxo sangüíneo, a um nível igual ou maior do que o causado pelas aplicações quentes. Os tratamentos que consistem apenas em massagem de gelo, imersão no gelo ou hidromassagem fria, estão sendo defendidos e usados em grande escala. Vimos que os terapeutas fazem do frio um fim e não um meio na sua terapêutica clínica. Isso nos leva a sérios problemas, pois como sabemos, sem exercícios os benefícios da crioterapia diminuem seriamente.

                As aplicações do frio apenas preparam a área lesada para o exercício, e o exercício é que promove a cura.

            Temos portanto, uma situação muito interessante. Por pensarmos que o frio causa a vasodilatação, nós o utilizamos de uma maneira e, que muitas vezes não é a conduta correta para o momento do tratamento. Reciclar tudo isso parte da melhora que poderemos obter quando traçarmos os nossos objetivos terapêuticos usando a crioterapia.

 

Conclusões

            Nathan declarou que as idéias precisam ser frutíferas, mas não necessariamente certas. Pode-se dizer o mesmo sobre a teoria de que a vasodilatação ocorre durante aplicações terapêuticas do frio. É uma idéia que vem provando ser falsa, mas têm sido frutíferas. Tem nos levado a uma boa compreensão da base fisiológica do frio e reabilitação, e portanto, tem servido bastante para nos orientar.

            Tomando-se por base as informações correntes disponíveis chegando às seguintes conclusões:

1)     A vasodilatação não ocorre durante ou após aplicações terapêuticas do frio;

2)     Durante os procedimentos de reabilitação o único propósito das aplicações a frio é facilitar o exercício físico. Isso é feito diminuindo a dor e os espasmo muscular, permitindo assim que o exercício comece mais cedo e progrida muito mais rápido;

3)     O exercício é a chave da reabilitação. Sem o exercício terapêutico executado corretamente as aplicações do frio vão impedir (diminuir), ao invés de promover a reabilitação;

 

 

 



publicado por fisio100 às 00:42
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